| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Charadriiformes |
| Subordem: | Scolopaci |
| Família: | Scolopacidae |
| Rafinesque, 1815 | |
| Subfamília: | Tringinae |
| Rafinesque, 1815 | |
| Espécie: | A. macularius |
O maçarico-pintado é um Charadriiforme da família Scolopacidae, conhecido também como batuirinha, maçariquinho, maçariquinho-pintado e rapazinho (Rio Grande do Sul).
Seu nome científico significa: do (grego) aktitës, aktë = morador do litoral, litoral, costa; e do (latim) macularia, macularius = manchado, pintado. ⇒ Ave costeira pintada ou ave litorânea manchada.
O maçarico-pintado é ave de médio porte, com 10 a 18 cm de comprimento e envergadura de 37 a 40 cm. A fêmea é 20 a 25% maior que o macho, pesando 43 a 50 g, em comparação com 34 a 41 g para o macho.
O maçarico-pintado possui coloração que vai do marrom ao cinza verde-oliva em sua coroa, nuca, costas e asas, e branco em seu rosto, pescoço, peito e barriga. Seu nome comum deriva das manchas pretas em seu peito e abdômen brancos, principalmente quando em plumagem reprodutiva. A fêmea tende a ter manchas maiores, que se estendem mais baixo na barriga em comparação com o macho. Quando em voo, o maçarico-pintado exibe uma listra branca na asa e uma rabadilha e cauda simples.
(Oring, et al., 1997)
Não possui subespécies.
O maçarico-pintado é carnívoro oportunista. Ele come quase todos os animais pequenos o suficiente para ele engolir. Exemplos de alimentos mais consumidos incluem mosquitos, peixes, mayflies, moscas, gafanhotos, grilos, besouros, minhocas, lagartas, moluscos, crustáceos, aranhas e carniça.
O maçarico-pintado busca alimento forrageando no chão. Ele captura presas bicando o chão, pulando para pegar insetos voadores e pegando insetos fora da vegetação. Muitas vezes, o maçarico-pintado lava na água os insetos capturados antes de comê-los, embora a razão para isso não seja clara. O maçarico-pintado é caçador visual, usando principalmente a visão para capturar suas presas. Quando está no período de reprodução, a fêmea aumenta sua ingestão de alimentos para compensar a energia gasta para a produção dos ovos. Durante a incubação, o macho aumenta em cerca de 45% o seu tempo dedicado a encontrar e capturar alimento (ORING et al., 1997).
O maçarico-pintado é poliândrico. A fêmea desta espécie pode acasalar com mais de quatro companheiros a cada ano. (Oring, et al, 1997).
O maçarico-pintado se reproduz entre maio e agosto. A fêmea estabelece um território de reprodução cerca de quatro dias antes de os machos começarem a chegar. Após o cortejo, o par constrói o ninho junto. O ninho é construído no solo e consiste de ervas daninhas ou caules que preenchem uma depressão rasa. Ele geralmente está localizado em pântanos, no litoral, e perto de outras fontes de água. A fêmea então coloca cerca de 4 ovos (ocasionalmente 3). Cada fêmea pode efetuar até 5 desovas por ano. Os ovos desta espécie pesam cerca de 9,6 g e levam de 19 a 22 dias (em média 21 dias) para a incubação. A incubação é efetuada em grande parte pelo macho, e pela fêmea em menor grau. Os jovens maçaricos-pintados permanecem aos cuidados dos pais por pelo menos 4 semanas após a eclosão. Os ninhegos pesam cerca de 6 g. Dentro do primeiro dia, eles estarão andando, comendo e estendendo suas asas. Eles partem para a caça a alimentos imóveis em 1-2 dias, e começam a perseguir presas em movimento com 3-5 dias. Os filhotes são criados e alimentados principalmente pelo macho. Em cerca de 11 dias, os pintinhos começam a levantar do chão batendo as asas. Em cerca de 15 dias, os pintinhos começam a apresentar voo fraco, e em cerca de 18 dias, os pintos podem levantar-se completamente fora do chão e voar uma distância significativa.
Os jovens maçaricos-pintados são capazes de se reproduzir já no verão seguinte, quando estão com cerca de 1 ano de idade. (Oring, et al, 1997)
Habita praticamente qualquer local com água, tanto na costa como nas águas interiores, tais como manguezais e margens de rios e lagos. Normalmente são vistos vários indivíduos espalhados em um mesmo local, porém não associados em grupos.
É um migrante do norte, com reprodução no Ártico, iniciando os movimentos para o sul em junho (Hayman et al., 1986). No Brasil ocupa, sobretudo, os manguezais. Observa-se comumente forrageando nos manguezais do rio Galinhos e Thomas. A plumagem de reprodução foi registrada em abril e a de eclipse de setembro a março.
O maçarico-pintado é ave diurna. Ele pode dormir a qualquer hora, durante o dia ou à noite, mas geralmente dorme quando está escuro. Durante o dia, o maçarico-pintado passa algum tempo cuidando da sua manutenção, que envolve preening, coçar a cabeça, alongamento e banho.
O maçarico-pintado é totalmente migratório, com a exceção das populações que se reproduzem no inverno ao longo da costa oeste dos Estados Unidos e em algumas áreas na Califórnia. O maçarico-pintado migra durante o dia e à noite. Diferente da maioria das aves marinhas, ele migra sozinho ou em pequenos grupos.
O maçarico-pintado é territorial durante a época de reprodução e no inverno. Durante a época de reprodução, os machos e as fêmeas defendem independentemente seus territórios. Para casais monogâmicos, os territórios masculinos e femininos são idênticos. Para o sexo feminino poliândrico, os territórios dos machos são subconjuntos do território da fêmea. O maçarico-pintado defende seu território de forma agressiva. Disputas territoriais tipicamente envolvem bicadas na cabeça e os olhos do adversário, e são usadas as pernas, asas e contas para lutar contra os invasores.
Ao caminhar, a ave apresenta um movimento com um balançado característico. O maçarico-pintado também pode, ocasionalmente, nadar e mergulhar para efetuar a sua caça.
(Oring, et al., 1997).
Quando ameaçado, o maçarico-pintado realiza uma exibição posicionando seu corpo ereto e seu bico para a frente. Ele estende suas asas para fora e para cima, levanta as penas do peito e abre sua cauda em forma de abanador. O maçarico-pintado também pode fingir uma lesão, conhecida como a exibição de asa quebrada, a fim de chamar a atenção de predadores para longe de seu ninho. O comportamento simulando asa quebrada é realizado por meio de agachamento no chão com as asas batendo no chão e a cauda abaixada, enquanto permanece guinchando.
(Oring, et al., 1997)
Reproduz-se na América do Norte e migra durante o inverno para áreas mais quentes, podendo neste período ser encontrado desde o sudeste dos Estados Unidos até a Argentina e em todo o Brasil.